Jasmine’s
POV
Logo
alguns holofotes foram sendo dirigidos a mim, deixando a minha visão muito
iluminada. Tive que esperar um tempo até me acostumar, pois estava praticamente
no escuro há poucos minutos. Quando voltei a enxergar normalmente, localizei a
bancada de jurados e logo vi Louis Walsh, Nicole Scherzinger e... Simon Cowell. Um arrepio de medo passou pela base da
minha coluna, mas continuei caminhando até o centro do palco de onde pude
enxergar a plateia. Todos me encaravam. Eu teria que aguentar toda essa
pressão, então usei a minha técnica de relaxamento. Contei até 10 mentalmente e
respirei fundo enquanto Simon perguntava qual era o meu nome.
-
Boa tarde a todos! Meu nome é Jasmine. – sorri levemente, tentando aliviar a
tensão e tirar um pouco do peso das minhas costas.
-
Prazer te conhecer, Jasmine! Tens que idade? – Simon perguntou. Parece que era
só ele que falava com os participantes.
-
17 anos a partir de hoje! – abri mais ainda o meu sorriso.
-
Sério? Feliz aniversário, então. E já terminou o ensino médio? – Simon
perguntou.
-
Obrigada e sim... Já terminei.
-
Ótimo. E por que resolveu vir cantar aqui?
-
Porque eu sempre tive o sonho de cantar, principalmente aqui nesse programa
maravilhoso que é o The X-Factor. – Simon sorriu.
-
Pode começar, então. – fez um gesto com a mão, dizendo: - O palco é todo seu. –
Agora era a hora. A hora que eu esperei durante toda a minha vida. Eu sonhei com
esse momento. Ensaiei muito. Eu preciso me sair bem. Respirei fundo novamente e
comecei o trecho da música do Bruno Mars ( http://www.youtube.com/watch?v=W3hTC1WMxts)
Como
não podemos cantar a música inteira na primeira audição, terminei o primeiro
refrão e parei. Nicole estava com um sorriso no rosto, Simon e Louis estavam
com as caras sérias. Me assustei um pouco, esperando que alguém falasse alguma
coisa. Até que Simon disse:
-
Nossa. Foi realmente bom. Você tem outra música que queira nos mostrar? – Simon
perguntou. Me senti feliz por ele ter perguntado porque a outra música
precisava de teclado e eu sabia tocar. Poderia impressioná-los ainda mais.
-
Sim. Tem, sim. Só que essa precisa de acompanhamento em um teclado ou piano. –
eu olhei diretamente para o Simon como se estivesse suplicando por alguma
coisa.
-
Ah, claro. Nós temos um teclado... Dermot, pode pegá-lo para nós? – Simon pediu
ao apresentador do programa. Ele afirmou com a cabeça e passou pelo corredor
escuro até voltar com um teclado. Colocou-o no meio do palco e trouxe uma
cadeira também. Eu sorri, agradecendo e sentei.
-
Pode começar, minha querida. Estamos curiosos para vê-la tocar. – Me surpreendi
com Nicole falando pela primeira vez. Me concentrei, lembrando da letra da
música e comecei a tocar calmamente ( http://www.youtube.com/watch?v=VQ4LAxfu9AU)
Do you ever feel
Like a plastic bag
Drifting through the wind
Wanting to start again
Do you ever feel
Feel so paper-thin
Like a house of cards
One blow from caving in
Do you ever feel
Already buried deep
Six feet under
Screams but no one seems to hear a thing
Do you know that there's
Still a chance for you
'Cause there's a spark in you
You just gotta
Ignite the light
And let it shine
Just own the night
Like the Fourth of July
'Cause baby, you're a firework
Come on show 'em what you're worth
Make 'em go, "Aah, aah, aah"
As you shoot across the sky
‘Cause baby, you're a firework
Come on let your colors burst
Make 'em go, "Aah, aah, aah"
You're gonna leave them all in awe, awe, awe
Like a plastic bag
Drifting through the wind
Wanting to start again
Do you ever feel
Feel so paper-thin
Like a house of cards
One blow from caving in
Do you ever feel
Already buried deep
Six feet under
Screams but no one seems to hear a thing
Do you know that there's
Still a chance for you
'Cause there's a spark in you
You just gotta
Ignite the light
And let it shine
Just own the night
Like the Fourth of July
'Cause baby, you're a firework
Come on show 'em what you're worth
Make 'em go, "Aah, aah, aah"
As you shoot across the sky
‘Cause baby, you're a firework
Come on let your colors burst
Make 'em go, "Aah, aah, aah"
You're gonna leave them all in awe, awe, awe
Quando levantei os olhos do teclado, não acreditei no que
via. Todas as pessoas da plateia se levantaram e aplaudiram de pé, inclusive o
Simon. O Simon. Simon Cowell me aplaudindo de pé. Meus olhos se encheram de
lágrimas. Fiquei muita agradecida. Levantei e fiz uma reverência com um sorriso
que não queria sair do meu rosto. As lágrimas começaram a cair enquanto os
jurados falavam.
- Você mostrou que sabe cantar e tocar teclado
maravilhosamente bem. Com certeza, por mim, vai para a fase do bootcamp. –
Louis Walsh falou.
- Me impressionei com você desde que entrou aqui. – Nicole
falou e eu me lembrei das palavras do Harry. – É realmente uma menina linda e
canta muito bem para 17 anos. Por mim, está dentro também.
- Não preciso nem falar nada. Levantou toda a plateia e
emocionou a todos nós. Você continua, garota. – Simon falou para a minha
alegria. Eu explodi em lágrimas e disse apenas um “obrigada” fraquinho ao
microfone, porque não conseguia pronunciar mais nada. Saí correndo dali, louca
para contar tudo ao Harry. Pera, pro Harry? Por que eu pensei nele nesse
momento? Eu tenho que contar tudo para os meus pais, isso sim. Enquanto passava
pelo corredor, o próximo candidato estava seguindo para o palco. Ali estava um
pouco escuro, mas deu para ver que era um garoto e ele me olhou sussurrando:
- Adorei a sua voz. E o acompanhamento também. – sorriu e eu
fiquei meio tonta porque a sua voz era grave. Uma voz de homem. Reparei que ele
tinha uma franja para o lado, como o menino grosseiro da sala de espera, mas a
cor era diferente. Era de um castanho meio loiro e seus olhos eram cor de
avelã. “Pronto, outro menino bonito nesse programa.” Resolvi agradecer e passei
por ele. O garoto fez questão de que seu braço encostasse levemente no meu
enquanto caminhávamos para lados opostos. Um calafrio percorreu o meu corpo,
mas eu resolvi ignorar. Finalmente cheguei àquela sala minúscula e já estava me
sufocando por causa do calor que fazia lá dentro. Por incrível que pareça, (ou
não) Harry estava me esperando sentado na mesma cadeira que antes. Quando me
enxergou, deu um pulo da cadeira e veio correndo até mim:
-E aí? Como foi? Ah, nem precisa dizer nada. Aposto que
passou para a próxima fase só de entrar lá e mostrar toda essa beleza.
- Não, Harry. Também não precisa exagerar. Eu tive que
cantar duas músicas e tocar teclado para conseguir impressionar.
- Tocar teclado? Não sabia que você tocava também. Toca
outras coisas?
- É, sim, eu toco... – parei de falar quando olhei para ele
e percebi o sorriso malicioso. Não acredito que ele me perguntou isso. Dei um
tapa fraquinho no seu ombro e comecei a rir. – Idiota... Vai arrumar outra
pessoa para encher.
- Não. Agora eu só quero você. – e colocou o seu braço ao
redor da minha cintura, me puxando em direção ao portão. Sua pegada era forte
e... “Ah, cala a boca, cérebro”. Coloquei o meu braço no seu ombro, o que foi
meio difícil por ele ser mais alto que eu. Fomos andando assim até a saída e
estava muito melhor o clima lá. Até parece que a tensão sumiu. Chegamos à
calçada e havia algumas pessoas saindo de lá também. Lembrei que deveria ligar
para meu pai vir me buscar e disquei o número de casa no meu celular.
- Alô. – era a voz do papai. Eu conhecia essa voz. Mas
estava completamente chorosa.
- Pai, o que foi? Estava chorando?- houve uma pausa do outro
lado da linha e a voz de papai voltou ao normal.
- Não. Está tudo bem. Já acabaram as audições?
- Sim. Você poderia vir me buscar?
- Ah, infelizmente eu não posso, minha filha. O médico disse
que sua mãe não pode ficar nem um minuto sozinha.
- Verdade? Ah, mas é grave?
-Depois falamos sobre isso melhor. Seria bom se você
conseguisse uma carona. – olhei de relance para o Harry que escutava a conversa
atentamente.
- É, sim, vou tentar. Beijos, pai, fica bem.
- Okay. Te vejo daqui a pouco e você me conta o resultado da
audição.
- E você me conta o resultado do exame médico. – desliguei o
celular e olhei um pouco abalada para o Harry.
- Quê exame médico? – Harry me perguntou e eu pensei se
deveria contar pra ele.
- Se você puder me dar uma carona, eu te conto tudo que
quiser saber. – logo que acabei de falar isso, percebi Harry sorrindo como
nunca.
- Claro, seria um prazer dar carona para você.
- Então... Cadê seu carro? – perguntei.
- Por aqui. – segurou na minha mão e por um momento eu
fiquei nervosa, mas me lembrei que Harry era só meu amigo e então deixei-o me
levar.
Quando chegamos à esquina, Harry tirou uma chave de carro do
bolso e apontou para um carro preto estacionado. Abriu a porta para mim e
caminhou até a porta do motorista.
- Esse carro é seu? – perguntei, me dando conta que não
tinha perguntado a idade dele. Será que ele já podia dirigir?
- Sim. Eu ganhei esse ano de aniversário.
- Atá, então você já tem 16 anos?
- Claro, meu amor.
- Ai, Harry, não me chama de “meu amor”. Odeio quando me
chamam assim. – e eu odiava mesmo, porque o meu ex-namorado me chamava assim.
- Tá bom. Minha gostosa. Melhorou?
- Isso, assim tá melh... Não, pera. O quê você disse? – aí
que eu olhei pro rosto dele e percebi aquela cara de safado. Não me contive e
dei um tapão na sua coxa. Quê assanhamento era aquele?
- Nossa, mas você adora me bater, né? – ele disse,
esfregando a coxa com as mãos. – Bate em outros momentos também?
- Ai, cala boca, Harry. – e comecei a rir. – Só você pra me
fazer rir num momento como esse, né?
- Sim, só eu. Mas me conta... O que você tava falando com o
seu pai? Parecia algo importante e você tava com uma carinha tão triste.
- É que... – Ah, eu nem queria me lembrar disso. Por que o
Harry me fez lembrar? – Ela anda doente nesses últimos dias e não tem como
negar que é algo grave.
- E você vai ficar sabendo o resultado do exame agora,
quando chegar em casa?
- Sim, o médico foi até lá em casa hoje de tarde porque
minha mãe não tem condições nem de sair da cama. – comecei a olhar para o chão
tentando segurar as lágrimas. - Tudo que eu sempre pedi na minha vida foi saúde
para a minha família e que os meus pais vivessem por muito tempo. Agora minha
mãe fica doente e... Eu ainda vou deixar ela para seguir meus sonhos. Eu sou
uma pessoa extremamente egoísta. – disse, colocando as mãos no rosto, me
envergonhando. Nesse momento, senti o carro parar e uma mão me puxando para um
abraço.
- Tenho certeza que você não é egoísta. Eu sei que acabei de
te conhecer, mas eu sinto que você é uma pessoa incrível, Jas. – “ele já estava
me chamando pelo apelido?”. – E acho que sua mãe deve estar orgulhosa de ter
uma filha como você. – segurei nos cachos do Harry e agradeci por me ajudar com
aquelas palavras. Sequei algumas lágrimas que escorriam pelo meu rosto e me
afastei dele para poder olhar em seu rosto.
Harry’s POV
E naquele momento eu senti uma vontade imensa de beijá-la
ali mesmo naquele carro e fazer ela se sentir a pessoa mais especial do mundo.
Mas eu acabei de conhecê-la e Jasmine não parece aquelas garotas que dão pro
cara na primeira oportunidade.
- É... eu te falei onde é a minha casa? Pode voltar a
dirigir porque não chegamos lá ainda. – ela falou, tentando acabar com a tensão
que ficou no ar, mas eu percebi que estava nervosa porque ela corou levemente.
Então, Jas me explicou calmamente onde ficava a sua casa e eu dirigi até lá.
Durante todo o trajeto, não falamos mais nada. Quando chegamos, eu percebi que
era uma casa simples e bonita de 2 andares. Ela olhou para mim com um rostinho
preocupado. Dei um sorrisão e levantei as duas sobrancelhas, falando:
- Então, a gente se vê na fase do bootcamp, minha cantora
favorita. – Ela riu da minha cara e foi abrindo a porta. Segurei no seu braço e
ela se virou. – Ei, não tá esquecendo de nada?
- O quê? – me inclinei até ela e deixei um beijo muito perto
da sua boca e ela me olhou intrigada.
- Isso... Agora, pode ir. – e então ela abriu a porta e
desceu, me deixando com a maior vontade de ir atrás dela e dar algo muito maior
do que um simples beijinho.
Jasmine’s POV
Entrei em casa e logo fui sentindo o cheiro de comida. Papai
devia estar preparando alguma coisa para minha mãe. Fui até a cozinha e
encontrei ele de avental fazendo, aparentemente, uma massa ao molho de quatro
queijos que eu identifiquei pelo aroma. Abracei-o por trás e ele se virou para
me dar um beijo na testa:
- E aí? Passou? – papai já foi logo me perguntando.
- Não... – Tentei enganá-lo, fazendo uma cara triste, mas
não deu certo porque logo eu comecei a sorrir.
- Ah, não tente me enganar, Jas. Aposto que você conseguiu.
- Siiiiiiiiiim. – e me atirei no abraço dele.
- Que bom, minha filha. Fico muito orgulhoso de você. Sua
mãe está louca para saber a resposta dos jurados, então, se eu fosse você,
subia agora para o quarto.
- Okay. Mas, antes, pode me falar o quê mamãe tem? –
perguntei, deixando ele um pouco sério.
- É... o médico ainda não sabe ao certo porque ele vai
precisar de mais do que um simples exame em casa para ter o resultado.
- Tá, mas é grave? – perguntei, implorando por uma resposta.
- Não, não. Ele nos deixou tranquilo. Disse que com a ajuda
de um tratamento médico, ela consegue melhorar em alguns poucos meses. – mas,
mesmo assim, papai não tirava aquela expressão séria do rosto.
- Que bom, então. Espero que ela fique boa logo e consiga me
ver cantar. – e sorri. Saí correndo dali, louca para encontrar mamãe e contar
tudo pra ela. Cheguei ofegante ao final da escada e abri a porta devagar, caso
ela estivesse dormindo. Mas não estava. Parecia até que me esperava. Quando
entrei, corri até a cama e me atirei ao lado dela.
- Qual o motivo dessa alegria toda, minha menininha? – mamãe
me perguntou olhando em meus olhos.
- Adivinha... – nem dei muito tempo para ela pensar. – Eu
passei para a próxima fase! YEAH! – e levantei um dos braços em um movimento de
comemoração. Mamãe começou a rir e me puxou para um abraço apertado.
- Eu sabia que você conseguiria. Agora vai lá e ganha aquela
competição por mim. – nos afastamos e ficamos nos encarando por um momento.
- Claro, mamãe. Tudo por você. – e beijei seu rosto. – Já tá
se sentindo melhor?
- Sim, muito melhor. Agora estou morrendo de fome e seu pai
tá demorando com aquela massa.
- Acho que vou lá ajudar ele, então. Aquele lerdo não sabe
nem fazer uma massa. – e nós duas caímos na gargalhada.
- Vai lá, meu amor. – sorri para ela antes de caminhar até a
porta e descer até a cozinha.
- E aí, pai? Essa janta sai ou não sai? – perguntei,
brincando com ele.
- Já tá quase pronta. – falou, se atrapalhando todo com as
colheres e os temperos.
- Claro. – e comecei a ajuda-lo. – Admita, pai. Você não
consegue nem fazer uma massa sem a ajuda da sua filhota. – e ele riu.
- É verdade. Eu não consigo viver sem esse anjo na minha
vida. Não sei como vou fazer tendo que cozinhar todos os dias para a sua mãe
quando você não estiver aqui.
- Vai ter que pedir pizza todo dia. Só não vai engordar, né,
pai? – brinquei dando um tapinha na sua barriga.
- Que nada. Eu nunca engordo. – e deu um sorriso
pretensioso.
- Tá, agora vamos terminar logo com essa massa que mamãe
está com fome.
Quando estava tudo pronto, fomos até lá em cima para ajudar
mamãe a descer as escadas e jantar lá embaixo como sempre foi. “Já disse que eu
tenho a melhor família do mundo?” Sentamos todos ao redor da mesa redonda no
centro da cozinha e começamos a conversar sobre vários assuntos enquanto
comíamos.
- Até que ficou boa essa massa, papai. – e comecei a rir. –
Só porque eu te ajudei.
- Viu como é essa guria? Só porque passou num programa
famoso agora tá se achando toda. – meu pai falando olhando para mamãe que
permaneceu um pouco séria durante todo o jantar.
- Quê foi, mãe? Por que essa cara? Não está feliz que sua
doença tem cura? – eu perguntei.
- É, sim, claro que sim, Jas. Só estava com o pensamento
longe. Então, nos conte tudo o que aconteceu por lá.
E assim eu contei tudo, tirando a parte do Harry, do Louis,
do Zayn, do garoto misterioso do corredor e daquele fofo que não parava de rir.
Mas nenhum deles saía da minha cabeça.
♥
♥ ♥
Minhas malas já estavam prontas e eu só estava esperando o
papai descer para irmos até o lugar que estava na carta. Pois é, veio uma carta
dizendo o endereço para a fase do bootcamp. Pelo que eu ouvi falar do programa,
nessa fase eles separam as pessoas em grupos e cada grupo fica em uma casa
diferente pra se conhecer melhor. Era dividido em garotos, garotas, maiores de
28 e grupos.
Meu pai veio descendo a escada correndo e seguiu até a porta
para abri-la. Eu já tinha me despedido da mamãe, mas foi uma despedida bem
dramática. Ela me deu vários conselhos e advertências e eu quase chorei por
estar me afastando dela por um tempo. Finalmente, papai conseguiu abrir a porta
e eu passei por ele indo em direção ao carro.
- E aí? Ansiosa? – papai perguntou enquanto apertava o botão
para as portas do carro abrirem.
- Muito. – na verdade, eu estava mais nervosa. Por ver o
Harry de novo. Mas não quis comentar sobre isso.
Entramos no carro e eu li de novo o endereço para papai se
situar. Ficamos conversando sobre o reality show durante todo o caminho. Sobre
como sempre foi o meu sonho, desde pequenininha, ir para o X-Factor. E agora
esse sonho estava se tornando realidade.
Simplesmente não conseguia acreditar. E enquanto conversávamos
animadamente, o carro parou e percebi que havíamos chegado a um lugar um pouco afastado
da cidade e que ao fundo do local havia uma casa moderna branca e com janelas
de vidro. Era incrivelmente bonita. Fiquei um tempo olhando para a casa, um
pouco maravilhada com tudo aquilo. Olhei para o papai e ele me olhava com a
mesma cara.
- Bom, então parece que é aqui que nos despedimos. – sorriu
e me puxou para um abraço bem apertado.
- Tá, acho que deu. Já tá me sufocando, pai. – ele me soltou
e eu comecei a rir um pouco sem fôlego. Ele beijou minha testa e pediu que eu
me cuidasse muito bem e arrasasse. Eu respondi com um “claro” confiante e saí
do carro em direção a casa, levando as minhas malas.
Aquela confiança toda foi se dissipando enquanto eu andava e
foi por água abaixo quando eu abri a porta de vidro e todos olharam para mim.
Inclusive Harry, Louis, Zayn, o garoto do corredor e o loirinho. Desviei o
olhar de todos eles e concentrei só em Harry, pedindo com o olhar para que ele
viesse me ajudar. Havia umas 20 meninas naquela sala e mais meninos ainda. E o
homem gay falava alguma coisa que eu não estava prestando atenção. Harry veio
até mim e me deu um abraço sufocante (credo, as pessoas tem que parar de tentar
me matar com esses abraços). Então, ele pegou as minhas malas e levou até um
canto onde estavam várias malas. Veio até o meu lado e ficou parado ali
enquanto tentávamos escutar o que o cabelo-rosa-choque dizia. Não sei se Harry
estava fazendo de propósito, mas sua mão encostava suavemente na minha. Decidi
ignorar aquilo e prestar atenção em outras coisas, como a decoração. Não, mentira.
Prestei atenção nos garotos mesmo. Aquele idiota do Louis não parava de me
encarar friamente do outro lado da sala. Zayn estava perto do local das malas,
enquanto olhava fixamente para o celular. Encontrei o garoto do corredor e o
loiro também. Ótimo, todos os garotos que mexeram comigo de alguma forma estão
aqui. “Obrigado, Deus, por toda essa tentação.” Concentre-se, Jasmine. Pensei
comigo mesma e decidi prestar atenção no que o produtor falava.
- Então, como eu disse antes, não conseguimos encontrar
quatro casas para vocês dessa vez. Então os garotos irão ficar na mesma casa
que as garotas – alguns suspiros e reclamações atrapalharam o homem- SILÊNCIO.
Odeio ser interrompido... E os maiores de 28 ficarão com os grupos em outra
casa. Vocês todos vão ficar nessa casa aqui, se conhecendo melhor por um tempo
e se preparando para a apresentação que tem para frente. Não se esqueçam que de
todos vocês, inclusive os grupos e acima de 28, sobrarão apenas 24 para a
próxima fase. Boa sorte. Ah, e esqueci de comentar que no corredor principal da
casa há uma folha colada com os nomes das pessoas que ficarão nos mesmos
quartos. Vocês dormirão em duplas e infelizmente, não há o mesmo número de
meninos e meninas. Então, tivemos que juntar alguns meninos com algumas meninas,
mas vocês certamente não irão se incomodar. Passar bem e aproveitem. – e saiu
dali rebolando com sua bolsinha pendurada no ombro. “Bichona”. Tentei não falar
aquilo alto e olhei para o Harry esperando que ele dissesse o que iríamos
fazer. Ele me olhou com uma cara de sem-vergonha e disse:
- Vamos lá olhar a listinha dos dormitórios. – pela cara
dele, dava para saber o que pensava. Ele estava torcendo para que ficasse no
mesmo quarto que eu. E eu estava torcendo justamente o contrário. Eu rezava
para que tivesse ficado em um quarto com alguma guria. Poderia ser um capeta,
mas desde que fosse uma guria. Fomos caminhando lentamente até o corredor
principal que já estava atolado de gente. Esperei algumas pessoas saírem e
desocuparem o espaço e apertei meus olhos para enxergar meu nome. “Jasmine e
Niall – Quarto 208”.
- Niall? Quem é Niall? – levantei minha voz para que todos
os que estavam no corredor me ouvissem. E, para minha alegria (só que não), um
loiro se pronunciou.
- Sou eu. – disse o loirinho bonitinho que era amigo daquele
Louis. “Obrigado, Deus, mais uma vez”.
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