Jasmine’s POV
Aqui estou eu... Na escola,
sentada, prestando atenção na aula de matemática enquanto o professor careca e
com uma barriga saliente não para de falar. Bom, eu não acho a escola tão má
assim, com exceção de algumas coisas como acordar cedo todos os dias. Mas tem o
lado bom desta história: os amigos e os conhecimentos adquiridos durante todo
percurso. A parte ruim de permanecer na sala de aula durante toda a manhã é ter
que aguentar os garotos que se acham “os adultos”, mas que ainda são pirralhos
infantis que não sabem como agir. Ainda tem as patricinhas, mas não vou nem
tocar neste assunto delicado. Não parece que ninguém aqui tem entre 16 e 18
anos. Ás vezes acho que estou na sala errada. 3º ano do Ensino Médio, até
parece. As únicas pessoas que se salvam no meio disso tudo sou eu, claro, e
minhas amigas: Michelle e Amanda. Elas não são patricinhas, muito pelo
contrário. Michelle quer fazer faculdade de Educação Física e Amanda decidiu
que quer seguir carreira no mundo da dança. Eu apoio elas, mas elas não me
apoiam. Aliás, parece que ninguém me apoia com exceção dos meus pais. John, meu
namorado da faculdade, também não se importa com os meus sonhos. Ele diz que
são bobagens. Mas eu não ligo para o que ele diz. O importante é que eu AMO ele
e ele também me ama. Realmente não sei o que ele viu em mim. Eu, uma simples
garota de Londres que só sabe estudar e ler, usa óculos e ainda por cima é
taxada de nerd. Mas ele que sabe. Estou feliz com ele, então o resto não
importa. É claro que eu escolhi John porque ele é 5 anos mais velho que eu, já
está na faculdade e é o cara mais lindo que eu já conheci. Olhos azuis, cabelos
pretos e sorriso torto... quem não iria se apaixonar?
Como eu já falei, eu
sonho. E sonho muito. Acordada, dormindo, seja como for. Eu sonho comigo no
palco. Comigo cantando. E as pessoas acompanhando. E eu mudando o mundo. Claro
que esse não é o meu único sonho. Também tracei metas e objetivos para a minha
vida. Quero continuar morando nessa cidade maravilhosa que é Londres, mas,
acima de tudo, quero conhecer aquele país que todos falam e que parece ser
lindo: o Brasil. Eu sei que ainda vou conhecer.
No próximo período,
temos aula de música. Hoje, eu escolhi cantar uma música de amor, é claro: Fly
Me To The Moon. Do Frank Sinatra. É uma das minhas músicas preferidas. E me faz
lembrar o John. Acho que estou apaixonada. Acho não, eu tenho certeza.
John’s POV
Acordei agora. São
exatamente 11h20min. Merda. Marquei de encontrar Jasmine daqui a 40 minutos.
Acordei em um salto da cama e comecei a arrumar-me impecavelmente para Jas.
Coloquei o perfume que ela mais gostava e me admirei um momento no espelho. Estava
mais bonito do que nunca. É por isso que eu consigo todas que eu quero. Estava
quase saindo, quando...
- Amooor, vai saindo
sem se despedir, é?
- Tay, eu combinei
com os amigos da faculdade para almoçarmos juntos e depois começarmos o
projeto.
- Mas, amor... Não dá
tempo para um segundo round?
Rolei os meus olhos e
soltei uma risada. Que menina insaciável. Aproximei-me de seu ouvido e
sussurrei:
- Mais tarde,
gostosa.
Ela sorriu e pareceu
satisfeita com as minhas palavras. Saí pela porta e quando cheguei no elevador
soltei um “ufa” aliviado. Não acredito que eu consigo driblar duas mulheres sem
que nenhuma desconfie de nada. Mas eu sou capaz de tudo e as mulheres realmente
são muito burras. Jasmine nem percebe que eu só me aproveito dela e faço o que bem
entender.
Jasmine’s POV
Estou tão feliz. Acho
que se melhorar estraga. Está dando tudo tão certo na minha vida: eu tenho o
namorado dos sonhos e sei que tenho um talento. E eu amo o que faço. Hoje, na
aula de música, eu fiz o que mais me deixa feliz. O melhor de tudo isso é
sentir que as pessoas se emocionam com a minha voz. E depois eu ainda recebi
vários elogios.
Agora eu estou a
caminho do Nando’s, o restaurante que eu combinei de encontrar o John para
almoçarmos juntos. Acho que temos muito o quê conversar. Tenho tantas novidades
para contar a ele. E estou com tantas saudades.
Parei o carro na
melhor vaga que encontrei e desci do meu Beatle conversível prata que ganhei de
16 anos. Para minha surpresa, John ainda não estava lá. Estranhei. Já eram exatamente
12h15min. Ele não era de se atrasar. Mas resolvi escolher uma mesa e esperar.
Nem precisei. Senti mãos taparem os meus olhos antes de sentar à mesa. E logo
reconheci. Pelo perfume. O melhor cheiro do mundo. Do mundo, não. Do universo.
Me virei para John e segurei a sua nuca para um beijo profundo.
- Que saudade, amor.
– eu disse, derretendo de paixão.
John apenas sorriu
para mim. Aquele sorriso lindo.
Sentamos à mesa e
chamamos o garçom para pedirmos o de sempre.
Quando o bendito homem nos deixou a sós, eu comecei a falar feito uma
louca. Contei todo o turbilhão de provas e trabalhos que os professores
passaram para nós essa manhã. John estava apenas ouvindo tudo com calma,
enquanto olhava para o próprio celular em cima da mesa. Era impressão minha ou
ele estava meio estranho? Resolvi deixar pra lá. Peguei na mão dele e falei
sobre os exames da minha mãe. Ela andava com sintomas estranhos e eu ficava a
cada dia mais preocupada. John pareceu se importar. Olhou no fundo dos meus
olhos e apertou a minha mão para me reconfortar. Ele não sabia o quanto esse
gesto era importante para mim.
Afinal, cheguei ao
assunto que estava com medo de tocar. Mas eu queria. E ele deveria saber.
-John, hoje eu cantei
na aula de música. Aliás, uma música que me faz lembrar você.
John sorriu.
-Mas o ponto que eu
quero chegar é que, bom, você sabe o quanto eu adoro cantar, né? Pois, então...
Resolvi que vou me inscrever naquele show de talentos, sabe? O The X-Factor.
John olhou sério para
mim e soltou minha mão.
-Você tá brincando?
-Não, John, eu estou
falando muito sério. É o que eu quero. É o que eu sei que...
-Você não sabe nada.
Vai nesse programinha de bosta só pra se expor. E cantar não leva a nada.
Quantas vezes eu tenho que te lembrar disso?
-Mas é algo que eu
gosto de fazer, John. Você não entende.
-Ah, eu entendo.
Entendo que se você for para um programa na TV, o nosso namoro está acabado.
-NÃO, não, não. Me
escuta. Tudo menos isso, por favor.
-Você que pediu.
John se levantou
exatamente na hora que o garçom vinha com a comida. Saiu exasperado e quase fez
que com o garçom derrubasse tudo. Nem olhou para trás.
Algumas lágrimas
vieram aos meus olhos. Limpei-as rapidamente. Pedi a conta para o garçom. Mas
ele disse que não precisava apagar. Afinal, eu nem comi nada. Perdi totalmente
a fome.
John’s POV
Ah, que raiva. Aquela
puta da Jasmine fica se fazendo de santinha, mas ela só quer aparecer. Ficar
famosa. Bem capaz que eu vou deixar uma mulher aparecer mais do que eu. Ser
mais famosa do que eu. Fiquei extremamente irritado. Se eu não fizesse o que
estava pensando, iria enlouquecer.
Fui para o lugar de
sempre e achei os caras que estava procurando. Coloquei o dinheiro no bolso
deles, enquanto eles colocavam o pó branco no bolso da minha calça. Encontrei o
beco mais próximo e fumei ali mesmo. Deixei a droga me levar. Encostei-me na parede
e esqueci de todo o resto.
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