segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Capítulo 1 - Dare to Dream

Jasmine’s POV
Aqui estou eu... Na escola, sentada, prestando atenção na aula de matemática enquanto o professor careca e com uma barriga saliente não para de falar. Bom, eu não acho a escola tão má assim, com exceção de algumas coisas como acordar cedo todos os dias. Mas tem o lado bom desta história: os amigos e os conhecimentos adquiridos durante todo percurso. A parte ruim de permanecer na sala de aula durante toda a manhã é ter que aguentar os garotos que se acham “os adultos”, mas que ainda são pirralhos infantis que não sabem como agir. Ainda tem as patricinhas, mas não vou nem tocar neste assunto delicado. Não parece que ninguém aqui tem entre 16 e 18 anos. Ás vezes acho que estou na sala errada. 3º ano do Ensino Médio, até parece. As únicas pessoas que se salvam no meio disso tudo sou eu, claro, e minhas amigas: Michelle e Amanda. Elas não são patricinhas, muito pelo contrário. Michelle quer fazer faculdade de Educação Física e Amanda decidiu que quer seguir carreira no mundo da dança. Eu apoio elas, mas elas não me apoiam. Aliás, parece que ninguém me apoia com exceção dos meus pais. John, meu namorado da faculdade, também não se importa com os meus sonhos. Ele diz que são bobagens. Mas eu não ligo para o que ele diz. O importante é que eu AMO ele e ele também me ama. Realmente não sei o que ele viu em mim. Eu, uma simples garota de Londres que só sabe estudar e ler, usa óculos e ainda por cima é taxada de nerd. Mas ele que sabe. Estou feliz com ele, então o resto não importa. É claro que eu escolhi John porque ele é 5 anos mais velho que eu, já está na faculdade e é o cara mais lindo que eu já conheci. Olhos azuis, cabelos pretos e sorriso torto... quem não iria se apaixonar?
Como eu já falei, eu sonho. E sonho muito. Acordada, dormindo, seja como for. Eu sonho comigo no palco. Comigo cantando. E as pessoas acompanhando. E eu mudando o mundo. Claro que esse não é o meu único sonho. Também tracei metas e objetivos para a minha vida. Quero continuar morando nessa cidade maravilhosa que é Londres, mas, acima de tudo, quero conhecer aquele país que todos falam e que parece ser lindo: o Brasil. Eu sei que ainda vou conhecer.
No próximo período, temos aula de música. Hoje, eu escolhi cantar uma música de amor, é claro: Fly Me To The Moon. Do Frank Sinatra. É uma das minhas músicas preferidas. E me faz lembrar o John. Acho que estou apaixonada. Acho não, eu tenho certeza.
John’s POV
Acordei agora. São exatamente 11h20min. Merda. Marquei de encontrar Jasmine daqui a 40 minutos. Acordei em um salto da cama e comecei a arrumar-me impecavelmente para Jas. Coloquei o perfume que ela mais gostava e me admirei um momento no espelho. Estava mais bonito do que nunca. É por isso que eu consigo todas que eu quero. Estava quase saindo, quando...
- Amooor, vai saindo sem se despedir, é?
- Tay, eu combinei com os amigos da faculdade para almoçarmos juntos e depois começarmos o projeto.
- Mas, amor... Não dá tempo para um segundo round?
Rolei os meus olhos e soltei uma risada. Que menina insaciável. Aproximei-me de seu ouvido e sussurrei:
- Mais tarde, gostosa.
Ela sorriu e pareceu satisfeita com as minhas palavras. Saí pela porta e quando cheguei no elevador soltei um “ufa” aliviado. Não acredito que eu consigo driblar duas mulheres sem que nenhuma desconfie de nada. Mas eu sou capaz de tudo e as mulheres realmente são muito burras. Jasmine nem percebe que eu só me aproveito dela e faço o que bem entender.
Jasmine’s POV
Estou tão feliz. Acho que se melhorar estraga. Está dando tudo tão certo na minha vida: eu tenho o namorado dos sonhos e sei que tenho um talento. E eu amo o que faço. Hoje, na aula de música, eu fiz o que mais me deixa feliz. O melhor de tudo isso é sentir que as pessoas se emocionam com a minha voz. E depois eu ainda recebi vários elogios.
Agora eu estou a caminho do Nando’s, o restaurante que eu combinei de encontrar o John para almoçarmos juntos. Acho que temos muito o quê conversar. Tenho tantas novidades para contar a ele. E estou com tantas saudades.
Parei o carro na melhor vaga que encontrei e desci do meu Beatle conversível prata que ganhei de 16 anos. Para minha surpresa, John ainda não estava lá. Estranhei. Já eram exatamente 12h15min. Ele não era de se atrasar. Mas resolvi escolher uma mesa e esperar. Nem precisei. Senti mãos taparem os meus olhos antes de sentar à mesa. E logo reconheci. Pelo perfume. O melhor cheiro do mundo. Do mundo, não. Do universo. Me virei para John e segurei a sua nuca para um beijo profundo.
- Que saudade, amor. – eu disse, derretendo de paixão.
John apenas sorriu para mim. Aquele sorriso lindo.
Sentamos à mesa e chamamos o garçom para pedirmos o de sempre.  Quando o bendito homem nos deixou a sós, eu comecei a falar feito uma louca. Contei todo o turbilhão de provas e trabalhos que os professores passaram para nós essa manhã. John estava apenas ouvindo tudo com calma, enquanto olhava para o próprio celular em cima da mesa. Era impressão minha ou ele estava meio estranho? Resolvi deixar pra lá. Peguei na mão dele e falei sobre os exames da minha mãe. Ela andava com sintomas estranhos e eu ficava a cada dia mais preocupada. John pareceu se importar. Olhou no fundo dos meus olhos e apertou a minha mão para me reconfortar. Ele não sabia o quanto esse gesto era importante para mim.
Afinal, cheguei ao assunto que estava com medo de tocar. Mas eu queria. E ele deveria saber.
-John, hoje eu cantei na aula de música. Aliás, uma música que me faz lembrar você.
John sorriu.
-Mas o ponto que eu quero chegar é que, bom, você sabe o quanto eu adoro cantar, né? Pois, então... Resolvi que vou me inscrever naquele show de talentos, sabe? O The X-Factor.
John olhou sério para mim e soltou minha mão.
-Você tá brincando?
-Não, John, eu estou falando muito sério. É o que eu quero. É o que eu sei que...
-Você não sabe nada. Vai nesse programinha de bosta só pra se expor. E cantar não leva a nada. Quantas vezes eu tenho que te lembrar disso?
-Mas é algo que eu gosto de fazer, John. Você não entende.
-Ah, eu entendo. Entendo que se você for para um programa na TV, o nosso namoro está acabado.
-NÃO, não, não. Me escuta. Tudo menos isso, por favor.
-Você que pediu.
John se levantou exatamente na hora que o garçom vinha com a comida. Saiu exasperado e quase fez que com o garçom derrubasse tudo. Nem olhou para trás.
Algumas lágrimas vieram aos meus olhos. Limpei-as rapidamente. Pedi a conta para o garçom. Mas ele disse que não precisava apagar. Afinal, eu nem comi nada. Perdi totalmente a fome.
John’s POV
Ah, que raiva. Aquela puta da Jasmine fica se fazendo de santinha, mas ela só quer aparecer. Ficar famosa. Bem capaz que eu vou deixar uma mulher aparecer mais do que eu. Ser mais famosa do que eu. Fiquei extremamente irritado. Se eu não fizesse o que estava pensando, iria enlouquecer.
Fui para o lugar de sempre e achei os caras que estava procurando. Coloquei o dinheiro no bolso deles, enquanto eles colocavam o pó branco no bolso da minha calça. Encontrei o beco mais próximo e fumei ali mesmo. Deixei a droga me levar. Encostei-me na parede e esqueci de todo o resto.

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