sábado, 7 de dezembro de 2013

Capítulo 5 - Mudanças radicais

Capítulo 5 – Mudanças radicais
Jasmine’s POV
Então... Para realmente acontecerem mudanças radicais na minha vida eu tinha que fazer uma. Foi aí que eu resolvi ir para o salão de beleza mudar o visual loucamente. Entrei decidida e, como já tinha marcado o horário, prontamente já fui pedindo:
- Eu quero um corte repicado nas pontas e a parte de trás do cabelo pintada de azul. – É, de azul, isso mesmo. Eu sempre quis fazer isso, mas a coragem nunca vinha.
- Você tem certeza? Seu cabelo é tão lindo... Não está com medo de estragar? – a cabelereira loira com um corte muito curto me perguntava.
- Eu tenho certeza absoluta. Pode começar.
♥   ♥   ♥
Cheguei em casa e mostrei o meu visual novo para os meus pais. Eles não falaram nada. Claro que eles não iriam elogiar porque é algo muito moderno pra cabeça deles. Mas também não me julgaram. Apenas sorriram e perguntaram o porquê desta mudança toda. Ora, a justificativa é simples. Quero deixar essa menina frágil e ingênua para trás e começar uma nova fase da minha vida. Meu novo visual tem outro motivo, como a minha audição no The X-Factor UK. Siiiiiim, eu fui aceita para as audições com os produtores. Só de pensar naquilo já me dava um frio na barriga. Aquela sensação de medo e nervosismo misturada com felicidade e empolgação. Eu estava mais feliz do que nunca. Mas sabia que a felicidade não duraria muito tempo, porque tinha a doença da minha mãe e, ninguém falava sobre isso, mas todo mundo estava percebendo que não era apenas uma gripe. Era algo maior. Muito maior. E, pensando sobre isso, tive a brilhante ideia de fazer uma sopa caseira para mamãe. Ela sempre gostou de sopa e como não estava em condições de fazer por si mesma, resolvi que uma sopa feita pela filha seria a melhor opção... Quando terminei, levei para mamãe e percebi que ela estava dormindo. Então apenas deixei o prato na mesinha ao lado da cama e um beijo na sua testa. Me dirigi ao meu quarto e, chegando lá, deitei na cama.
Foram tantas mudanças que ocorreram nos últimos dias. Descobri que um idiota me traía. Quase me matei. Recebi a pior notícia do mundo de mamãe. Resolvi entrar no X-Factor. Mudei o visual. Falando em mudança de visual, me lembrei que tinha uma caixinha com lentes de contato em algum lugar do meu quarto. Saí à procura dela e encontrei no fundo de uma gaveta que eu nunca mais tinha aberto. Me encaminhei até o banheiro e coloquei – depois de muito esforço e paciência – as malditas lentes. Por incrível que pareça, me senti muito melhor com elas do que com o meu óculos usado desde a 8ª série. E tomei a segunda decisão do dia: trocar os óculos pelas lentes de contato. É só uma questão de tempo até eu me acostumar com elas. Então me olhei no espelho e percebi a minha mudança. Fisicamente e interiormente também. Meu olhar estava mais decidido, meu cabelo mais rebelde e... era impressão minha ou eu tinha crescido alguns centímetros? Sorri ao me olhar assim, tão confiante. E me dei conta que os problemas e desilusões nos tornam uma pessoa mais forte. Eu nem chorava mais todos os dias, como antigamente. Por um lado, foi até bom terminar com aquele... Qual é mesmo o nome dele? Ah, esquece. Não vale a pena me lembrar de algo tão fútil.
Pensando em coisas boas, falta exatamente uma semana até o meu aniversário de 17 anos. 17 anos. Meu deus, nem acredito. Há pouco tempo eu era uma menininha de 14. Agora eu era uma mulher de quase 17 anos que estava a uma semana da audição com os produtores. Eu esqueci de comentar que a audição será no mesmo dia que o meu aniversário?  Dia 21 de agosto será um dia inesquecível. Pra melhor ou pra pior, dependendo da resposta dos produtores e dos jurados. Mas eu vou me esforçar. Vou dar o melhor de mim no dia do teste. Já comecei a ensaiar duas músicas. Porque nós temos que sempre irmos preparadas com duas músicas, no caso de eles pedirem para você mostrar outra coisa. Então escolhi músicas que eu gosto muito e tenho facilidade para cantar: Firework, da Katy diva, e Just the way you are, do Bruno Mars que canta divinamente bem. São hits do momento e eu tenho que aproveitar para cantar algo do meu gosto enquanto sou eu que posso escolher as músicas.
♥  ♥  ♥
Essa semana passou voando porque eu estava atolada de coisas pra fazer. Eu tinha que estudar para as provas finais, terminar alguns trabalhos e ainda arrumar tempo para ensaiar. Então hoje é dia 20 de agosto – último dia de aula - e amanhã é meu aniversário e os testes. Tudo no mesmo dia. Não sei se vou aguentar tanta empolgação. Provavelmente, eu nem vou conseguir dormir esta noite. Agora a ansiedade e o nervosismo estão à flor da pele. Treinei tanto as minhas duas músicas que vai ser impossível errar qualquer uma. Estava me sentindo completamente segura das minhas escolhas, mas é claro que o nervosismo sempre estaria ali. Principalmente na hora em que eu cantasse. Até porque eu sempre fui meio tímida, nunca estive entre os populares. Mas eu não era daquelas tímidas que levavam desaforo pra casa. Se alguém me incomodasse, levava o troco. E eu nunca deixava barato. Mas, então... fui dormir. Ou melhor, deitar. Fechei os meus olhos e sorri pensando: “amanhã vai ser O dia”.
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Pois é, dia 21de agosto. Meu aniversário. Audição. Acordei num pulo da cama e fui até o banheiro para escovar os dentes. Como já tinha escolhido a roupa no dia anterior, apenas enfiei o vestido floreado pela cabeça.  Coloquei uma sapatilha, o meu colar de crucifixo – amuleto da sorte -, um perfume doce e floral, e resolvi fazer uma maquiagem diferente hoje. Passei um gloss cor de boca, mas pintei os olhos com sombra preta, lápis de olho e passei um rímel transparente. Deixei os cabelos soltos e separei no meio, deixando uma mecha de cada lado para que as partes azuis ficassem à mostra. Desci correndo as escadas e, como eu já esperava, apenas o meu pai estava na cozinha servindo o café na mesa em duas xícaras. Abracei-o, beijei sua bochecha e gritei:
- BOM DIA!
- Bom dia, filha! Acordou animada pelo jeito, hein? – meu pai brincou comigo.
- Claro! O que você espera que eu faça num dia como hoje? – e sentei à mesa.
- Você não tem jeito mesmo, garota!
- Não, hoje ninguém me segura.
- Então, o que vai querer para comer, senhorita animadinha?
- Só uma torrada. Você sabe que eu não como muito de manhã.
- E nem é bom que você coma. Imagina você lá, cantando, quando de repente o café-da-manhã resolve dar um alô.
- Ai, pai. Nem fala uma coisa dessas. – Revirei os olhos e tentei não imaginar a cena. – Então, como a mamãe está se sentindo hoje? – Papai ficou sério de repente.
- É, um pouco melhor... Mas a dor de cabeça nunca passa. Chamei o médico para examiná-la hoje aqui em casa. Ele virá de tarde.
- Ah, pai... Eu nem vou estar aqui. Passarei o dia todo no local dos testes.
- Eu sei. Mas nós falaremos para você tudo o quê o médico dirá.
- Tá bom, então... Mas tem que me prometer que irá contar tudinho. – papai assentiu com a cabeça – Se é assim... Agora vou até lá em cima para me despedir da mamãe. Você me leva até a audição?
- Claro, tudo o que você quiser. Hoje é seu aniversário. Parabéns, minha garotinha que já está virando mulher.
- Pois é. Obrigada, papai. – larguei um sorriso tímido e saí correndo para ver como mamãe estava.
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Após uma conversa longa e séria com a minha mãe, que me advertiu sobre vários assuntos, nós fomos até o local endereçado. Mamãe parecia um pouco melhor, mas acho que ela estava só fingindo estar bem para que eu não me preocupasse. Chegamos ao lugar certo e me despedi do papai com um abraço e um beijo. Hoje era sábado, mas ele não deixaria de trabalhar. Papai tem o cansativo trabalho de um engenheiro.
Pulei do carro e percebi que a fila já estava enorme. Tirei o celular da minha bolsa para dar uma olhada na hora: 9h30min. Os portões só abrem às 10 horas. Então, são 30 minutos para passar nessa fila enquanto eu morro de ansiedade. Decidi ficar me distraindo com alguns joguinhos do celular até que, não sei por qual motivo, o garoto que estava na minha frente resolveu vir andando de costas para trás. Talvez alguém estivesse empurrando ele. Mas foi rápido demais e isso fez com que o meu celular me traísse com o chão. Não me contive e resolvi cutucar o maldito garoto à minha frente.
- Qual é a sua, hein, menino? Tá achando que você é o último da fila e pode ir andando de costas assim sem olhar pra trás? – falei antes que ele se virasse para mim. E foi nessa hora que ele se virou e eu tive que me segurar para não abrir a boca com tanta beleza.
- Desculpa, mas é que estavam me empurrando aqui. – ele parou de falar apenas para me olhar baixo para cima. – E quem é você? – ele falou com um sorriso malicioso (ou foi impressão minha?).
- Eu sou Jasmine. Prazer, garoto-que-me-empurrou-derrubou-meu-celular-e-agora-quer-saber-meu-nome. – Falei tudo isso como se fosse o nome de uma pessoa e revirei os olhos.
- Pode me chamar de Harry. Harry Styles. – e estendeu a mão com um sorriso acompanhado de covinhas no rosto.
Andrew’s POV
Após uma manhã cansativa de serviço, cheguei em casa para almoçar com Claire e descansar. Mas quem disse que eu iria conseguir dormir, ou até mesmo deitar? Logo que cheguei, fui subindo apenas para encontrar Claire tentando caminhar até o banheiro. Ajudei-a passando o braço pela sua cintura enquanto ela se apoiava nos meus ombros. Fomos até o banheiro e chegando lá, ela me informou que estava enjoada e com ânsia de vômito. E numa situação dessas, a única coisa que se pode fazer é segurar o cabelo da pessoa e deixar que ela se livre daquilo que está deixando-a assim. Após ela se aliviar, voltamos para a cama e eu deitei a seu lado. Perdi a fome depois de presenciar aquela cena e passei a fazer carinho nos seus cabelos bagunçados por não serem mais escovados.  E ficamos abraçados na cama até a campainha tocar. Supus que fosse o médico e então desci para abrir a porta. Minha suposição estava certa e então deixei que ele entrasse.
- Boa tarde. – disse o médico vestido com seu jaleco branco.
- Boa tarde, doutor. Me acompanhe. – e caminhei na sua frente até chegar ao andar de cima. Abri a porta do quarto e deixei que ele entrasse para examinar Claire.
Fiquei parado perto da cama, esperando que a avaliação acabasse logo para sabermos os resultados dos exames. Após o que pareceram horas de sufoco para mim, o médico me olhou com uma expressão séria – aquela expressão que os médicos têm e você já começa a pensar besteira – e disse numa voz mais séria ainda:

- Desculpe-me informar, mas a sua mulher tem um tumor cerebral. Tudo indica que restam apenas poucos meses de vida para ela. – o médico resolveu falar para o meu desespero.

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