Capítulo 5 – Mudanças radicais
Jasmine’s POV
Então... Para realmente
acontecerem mudanças radicais na minha vida eu tinha que fazer uma. Foi aí que
eu resolvi ir para o salão de beleza mudar o visual loucamente. Entrei decidida
e, como já tinha marcado o horário, prontamente já fui pedindo:
- Eu quero um corte repicado
nas pontas e a parte de trás do cabelo pintada de azul. – É, de azul, isso
mesmo. Eu sempre quis fazer isso, mas a coragem nunca vinha.
- Você tem certeza? Seu cabelo
é tão lindo... Não está com medo de estragar? – a cabelereira loira com um
corte muito curto me perguntava.
- Eu tenho certeza absoluta.
Pode começar.
♥ ♥ ♥
Cheguei em casa e mostrei o meu
visual novo para os meus pais. Eles não falaram nada. Claro que eles não iriam
elogiar porque é algo muito moderno pra cabeça deles. Mas também não me
julgaram. Apenas sorriram e perguntaram o porquê desta mudança toda. Ora, a
justificativa é simples. Quero deixar essa menina frágil e ingênua para trás e
começar uma nova fase da minha vida. Meu novo visual tem outro motivo, como a
minha audição no The X-Factor UK. Siiiiiim, eu fui aceita para as audições com
os produtores. Só de pensar naquilo já me dava um frio na barriga. Aquela
sensação de medo e nervosismo misturada com felicidade e empolgação. Eu estava
mais feliz do que nunca. Mas sabia que a felicidade não duraria muito tempo,
porque tinha a doença da minha mãe e, ninguém falava sobre isso, mas todo mundo
estava percebendo que não era apenas uma gripe. Era algo maior. Muito maior. E,
pensando sobre isso, tive a brilhante ideia de fazer uma sopa caseira para
mamãe. Ela sempre gostou de sopa e como não estava em condições de fazer por si
mesma, resolvi que uma sopa feita pela filha seria a melhor opção... Quando
terminei, levei para mamãe e percebi que ela estava dormindo. Então apenas
deixei o prato na mesinha ao lado da cama e um beijo na sua testa. Me dirigi ao
meu quarto e, chegando lá, deitei na cama.
Foram tantas mudanças que
ocorreram nos últimos dias. Descobri que um idiota me traía. Quase me matei.
Recebi a pior notícia do mundo de mamãe. Resolvi entrar no X-Factor. Mudei o
visual. Falando em mudança de visual, me lembrei que tinha uma caixinha com
lentes de contato em algum lugar do meu quarto. Saí à procura dela e encontrei
no fundo de uma gaveta que eu nunca mais tinha aberto. Me encaminhei até o
banheiro e coloquei – depois de muito esforço e paciência – as malditas lentes.
Por incrível que pareça, me senti muito melhor com elas do que com o meu óculos
usado desde a 8ª série. E tomei a segunda decisão do dia: trocar os óculos
pelas lentes de contato. É só uma questão de tempo até eu me acostumar com
elas. Então me olhei no espelho e percebi a minha mudança. Fisicamente e
interiormente também. Meu olhar estava mais decidido, meu cabelo mais rebelde
e... era impressão minha ou eu tinha crescido alguns centímetros? Sorri ao me
olhar assim, tão confiante. E me dei conta que os problemas e desilusões nos
tornam uma pessoa mais forte. Eu nem chorava mais todos os dias, como
antigamente. Por um lado, foi até bom terminar com aquele... Qual é mesmo o
nome dele? Ah, esquece. Não vale a pena me lembrar de algo tão fútil.
Pensando em coisas boas, falta
exatamente uma semana até o meu aniversário de 17 anos. 17 anos. Meu deus, nem
acredito. Há pouco tempo eu era uma menininha de 14. Agora eu era uma mulher de
quase 17 anos que estava a uma semana da audição com os produtores. Eu esqueci de
comentar que a audição será no mesmo dia que o meu aniversário? Dia 21 de agosto será um dia inesquecível.
Pra melhor ou pra pior, dependendo da resposta dos produtores e dos jurados.
Mas eu vou me esforçar. Vou dar o melhor de mim no dia do teste. Já comecei a
ensaiar duas músicas. Porque nós temos que sempre irmos preparadas com duas
músicas, no caso de eles pedirem para você mostrar outra coisa. Então escolhi
músicas que eu gosto muito e tenho facilidade para cantar: Firework, da Katy
diva, e Just the way you are, do Bruno Mars que canta divinamente bem. São hits
do momento e eu tenho que aproveitar para cantar algo do meu gosto enquanto sou
eu que posso escolher as músicas.
♥ ♥ ♥
Essa semana passou voando
porque eu estava atolada de coisas pra fazer. Eu tinha que estudar para as
provas finais, terminar alguns trabalhos e ainda arrumar tempo para ensaiar.
Então hoje é dia 20 de agosto – último dia de aula - e amanhã é meu aniversário
e os testes. Tudo no mesmo dia. Não sei se vou aguentar tanta empolgação.
Provavelmente, eu nem vou conseguir dormir esta noite. Agora a ansiedade e o
nervosismo estão à flor da pele. Treinei tanto as minhas duas músicas que vai
ser impossível errar qualquer uma. Estava me sentindo completamente segura das
minhas escolhas, mas é claro que o nervosismo sempre estaria ali.
Principalmente na hora em que eu cantasse. Até porque eu sempre fui meio
tímida, nunca estive entre os populares. Mas eu não era daquelas tímidas que
levavam desaforo pra casa. Se alguém me incomodasse, levava o troco. E eu nunca
deixava barato. Mas, então... fui dormir. Ou melhor, deitar. Fechei os meus
olhos e sorri pensando: “amanhã vai ser O dia”.
♥ ♥ ♥
Pois é, dia 21de agosto. Meu
aniversário. Audição. Acordei num pulo da cama e fui até o banheiro para
escovar os dentes. Como já tinha escolhido a roupa no dia anterior, apenas
enfiei o vestido floreado pela cabeça.
Coloquei uma sapatilha, o meu colar de crucifixo – amuleto da sorte -,
um perfume doce e floral, e resolvi fazer uma maquiagem diferente hoje. Passei
um gloss cor de boca, mas pintei os olhos com sombra preta, lápis de olho e
passei um rímel transparente. Deixei os cabelos soltos e separei no meio,
deixando uma mecha de cada lado para que as partes azuis ficassem à mostra.
Desci correndo as escadas e, como eu já esperava, apenas o meu pai estava na
cozinha servindo o café na mesa em duas xícaras. Abracei-o, beijei sua bochecha
e gritei:
- BOM DIA!
- Bom dia, filha! Acordou
animada pelo jeito, hein? – meu pai brincou comigo.
- Claro! O que você espera que
eu faça num dia como hoje? – e sentei à mesa.
- Você não tem jeito mesmo,
garota!
- Não, hoje ninguém me segura.
- Então, o que vai querer para
comer, senhorita animadinha?
- Só uma torrada. Você sabe que
eu não como muito de manhã.
- E nem é bom que você coma.
Imagina você lá, cantando, quando de repente o café-da-manhã resolve dar um
alô.
- Ai, pai. Nem fala uma coisa
dessas. – Revirei os olhos e tentei não imaginar a cena. – Então, como a mamãe
está se sentindo hoje? – Papai ficou sério de repente.
- É, um pouco melhor... Mas a
dor de cabeça nunca passa. Chamei o médico para examiná-la hoje aqui em casa.
Ele virá de tarde.
- Ah, pai... Eu nem vou estar
aqui. Passarei o dia todo no local dos testes.
- Eu sei. Mas nós falaremos
para você tudo o quê o médico dirá.
- Tá bom, então... Mas tem que
me prometer que irá contar tudinho. – papai assentiu com a cabeça – Se é
assim... Agora vou até lá em cima para me despedir da mamãe. Você me leva até a
audição?
- Claro, tudo o que você
quiser. Hoje é seu aniversário. Parabéns, minha garotinha que já está virando
mulher.
- Pois é. Obrigada, papai. –
larguei um sorriso tímido e saí correndo para ver como mamãe estava.
♥ ♥ ♥
Após uma conversa longa e séria
com a minha mãe, que me advertiu sobre vários assuntos, nós fomos até o local
endereçado. Mamãe parecia um pouco melhor, mas acho que ela estava só fingindo
estar bem para que eu não me preocupasse. Chegamos ao lugar certo e me despedi
do papai com um abraço e um beijo. Hoje era sábado, mas ele não deixaria de
trabalhar. Papai tem o cansativo trabalho de um engenheiro.
Pulei do carro e percebi que a
fila já estava enorme. Tirei o celular da minha bolsa para dar uma olhada na
hora: 9h30min. Os portões só abrem às 10 horas. Então, são 30 minutos para
passar nessa fila enquanto eu morro de ansiedade. Decidi ficar me distraindo
com alguns joguinhos do celular até que, não sei por qual motivo, o garoto que
estava na minha frente resolveu vir andando de costas para trás. Talvez alguém
estivesse empurrando ele. Mas foi rápido demais e isso fez com que o meu
celular me traísse com o chão. Não me contive e resolvi cutucar o maldito
garoto à minha frente.
- Qual é a sua, hein, menino?
Tá achando que você é o último da fila e pode ir andando de costas assim sem
olhar pra trás? – falei antes que ele se virasse para mim. E foi nessa hora que
ele se virou e eu tive que me segurar para não abrir a boca com tanta beleza.
- Desculpa, mas é que estavam
me empurrando aqui. – ele parou de falar apenas para me olhar baixo para cima.
– E quem é você? – ele falou com um sorriso malicioso (ou foi impressão
minha?).
- Eu sou Jasmine. Prazer,
garoto-que-me-empurrou-derrubou-meu-celular-e-agora-quer-saber-meu-nome. –
Falei tudo isso como se fosse o nome de uma pessoa e revirei os olhos.
- Pode me chamar de Harry.
Harry Styles. – e estendeu a mão com um sorriso acompanhado de covinhas no
rosto.
Andrew’s POV
Após uma manhã cansativa de
serviço, cheguei em casa para almoçar com Claire e descansar. Mas quem disse
que eu iria conseguir dormir, ou até mesmo deitar? Logo que cheguei, fui
subindo apenas para encontrar Claire tentando caminhar até o banheiro. Ajudei-a
passando o braço pela sua cintura enquanto ela se apoiava nos meus ombros.
Fomos até o banheiro e chegando lá, ela me informou que estava enjoada e com
ânsia de vômito. E numa situação dessas, a única coisa que se pode fazer é
segurar o cabelo da pessoa e deixar que ela se livre daquilo que está
deixando-a assim. Após ela se aliviar, voltamos para a cama e eu deitei a seu
lado. Perdi a fome depois de presenciar aquela cena e passei a fazer carinho
nos seus cabelos bagunçados por não serem mais escovados. E ficamos abraçados na cama até a campainha
tocar. Supus que fosse o médico e então desci para abrir a porta. Minha suposição
estava certa e então deixei que ele entrasse.
- Boa tarde. – disse o médico
vestido com seu jaleco branco.
- Boa tarde, doutor. Me
acompanhe. – e caminhei na sua frente até chegar ao andar de cima. Abri a porta
do quarto e deixei que ele entrasse para examinar Claire.
Fiquei parado perto da cama,
esperando que a avaliação acabasse logo para sabermos os resultados dos exames.
Após o que pareceram horas de sufoco para mim, o médico me olhou com uma
expressão séria – aquela expressão que os médicos têm e você já começa a pensar
besteira – e disse numa voz mais séria ainda:
- Desculpe-me informar, mas a
sua mulher tem um tumor cerebral. Tudo indica que restam apenas poucos meses de
vida para ela. – o médico resolveu falar para o meu desespero.
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