Jasmine’s POV
Fechei os meus olhos e respirei
fundo. Senti aquele ar quente e úmido entrar pelas minhas narinas. Sorri comigo
mesma. Não era uma má ideia me matar.
Foi aí que eu lembrei que tinha
outros planos. A minha vida já estava toda planejada na minha cabeça. Não iria
desperdiçar todos os meus sonhos por causa de um cara que nunca deu a mínima
pra mim. E ainda tem a minha mãe. Como eu seria tão burra a ponto de
abandoná-la? Eu faria ela sofrer. Mais do que ela já está sofrendo com essa
doença. Abandonei aquela ideia que há pouco tempo parecia tão instigante.
Escolhi por mim mesma. Prometi
algo para mim mesma. Algo que nunca esqueceria. E nunca deixaria de cumprir.
Olhei para a cidade dali de cima da ponte. Todas aquelas luzes. Olhei para o
rio. Observei cada pequeno detalhe ao meu redor. Prometi que nunca esqueceria
aquela cena e lembraria para sempre todas as palavras que pronunciei: “Eu juro,
juro mesmo, que nunca mais na minha vida eu vou me apaixonar novamente. Nunca
me aproximarei de nenhum menino com a intenção de me entregar. Concentrarei em
mim mesma e esquecerei que meninos existem.” Algo que parecia bem simples para
mim, depois de sofrer esta total desilusão. Não vou confiar em mais nenhum
menino, garoto, homem... seja qual for a idade. Nenhum deles presta. Nenhum.
Segui todo o caminho para a
casa me sentindo maravilhosamente bem. Eu sei que sofri demais hoje. Vi algo
que nunca queria ter visto na minha vida. Mas isso foi bom para me acordar. Me
mostrar que a vida não é simples. Ela nunca vai ser boa com a gente. Nós temos
que ser boas com ela. Ir atrás do que nós realmente queremos. É exatamente isso
que eu vou fazer. Mas antes tenho que dar essa notícia aos meus pais. Não vou
contar detalhes do que aconteceu. Seria insuportável se eles ficassem sabendo
de tudo. Tudo mesmo. Então vou contar só uma parte da história e a minha
decisão.
Cheguei à minha modesta e
simples casa e subi para o meu quarto. Deixei a bolsa pendurada na minha
cadeira e caminhei até o quarto dos meus pais. Abri a porta de leve, bem
devagar. Vi que meus pais estavam na cama. E enquanto a minha mãe dormia, meu
pai lia algum dos livros dele. Ele me viu e colocou um dedo na boca indicando
que não era para eu fazer barulho. Poderia acordar a minha mãe. Ela deve ter
demorado para dormir e eu não iria atrapalhar o sono dela. Então caminhei
vagarosamente e em passos leves até o meu quarto, que ficava ao lado. Entrei
naquele lugar onde eu podia me sentir confortável, com as minhas estantes
cheias de livros e os pôsteres de bandas fantásticas que eu sempre fui
apaixonada: Beatles, Ramones, Red Hot Chilli Pepers e outras tantas que sempre
me inspiraram para seguir meus sonhos. Caminhei em direção ao meu armário de
madeira reciclada e peguei meu pijama de bolinhas pretas para me vestir e ir
dormir. Segui até o banheiro e fiz a minha higiene pessoal. Em 10 minutos, já
estava pronta para deitar e refletir mais um pouco antes de dormir.
Olhei para a minha estante
azul-escuro e enxerguei meu livro da série “Fallen”. Mas meu objetivo não era
ler agora. Estava cansada e com sono demais para isso. Consegui pegar meus
fones de ouvido e meu celular e coloquei o volume no máximo para tentar afastar
aquela cena que eu tinha acabado de presenciar. Eu deveria parar de pensar nele
e em todos os momentos que já vivemos juntos, mas eu não conseguia. Aconteceram
muitas coisas hoje. Coisas demais para conseguir filtrar em um dia só. Parecia
que eu iria explodir com tanta pressão. Minha mãe doente. Meu namorado, pelo
qual há duas horas eu estava totalmente apaixonada, estava me traindo esse
tempo todo com uma loira vagabunda e eu não sabia.
Eu estava indecisa.
Completamente dividida ao meio. Um lado meu queria muito ir para aquele
programa de TV e esfregar na cara do John que eu consigo tudo que eu quero. E
outra parte minha queria permanecer ali naquela casa, ao lado dos meus pais e
cuidar da minha mãe doente. Mas, na vida, devemos sempre escolher entre uma
coisa e outra. Deixei para pensar nisso amanhã. Desliguei a música e fui dormir
com uma lágrima passando despercebida pelo meu rosto.
John’s POV
Eu estava berrando da porta
para que Jasmine me ouvisse. Mas ela não quis nem saber. Nunca vi Jas tão
perturbada. Ela saiu dirigindo feito uma louca. Mas que se dane. Eu não me
importo com ninguém e, além disso, tem uma loira bem gostosa querendo dar pra
mim lá em cima. Apenas com esse pensamento já pude sentir uma certa ereção e um
sorriso estampado no rosto. Me virei e enxerguei exatamente quem eu estava
pensando. Taylor. Mas a cara que ela estava não era nada parecida com a que eu
esperava dela. Ela estava... brava? Sua posição era sexy, admito. Mas fiquei
com medo do olhar dela. Com as mãos na cintura, Tay apenas me perguntou:
- Quem era aquela, seu maldito
filho da puta?
- Não era ninguém. Vamos
esquecer isso. O quarto nos espera...
- Como não era ninguém, John?
Tá pensando que eu sou tapada, é?
- Oi? Você realmente se importa
com isso?
- Se eu me importo em estar
sendo traída por um cafajeste? É ÓBVIO que eu me importo.
Eu só sei que tentei falar
alguma coisa, mas as palavras não saiam direito. Então senti uma mão na minha
cara. Aquele tapa que ela deu foi tão rápido que nem deu tempo para desviar. E
foi forte também...
- Aiiii... O que foi isso?
- Só uma amostra do que você
merece, seu cara de pau!
Taylor simplesmente saiu
rebolando e pouco antes de fechar a porta, resolveu que eu merecia mais:
- Eu já ia me esquecendo.
E simplesmente deu um chute nas
minhas partes baixas. Caí de joelho e ela fechou a porta na minha cara.
- ESSAS MULHERES MALDITAS! –
foi só o que eu consegui falar antes de cair duro no chão.
Depois de um tempo me
recuperando daquele tapa e principalmente do chute, eu resolvi sair para
espairecer um pouco. Na mesma noite, perdi meus dois brinquedinhos. Mas ainda
tinha outras diversões. Fui andando até o bar mais próximo e pedi para o garçom
a bebida mais forte que ele tivesse. E fiquei lá por um tempo, só bebendo e
bebendo, pensando em como a minha vida era uma bosta. Quando já estava bêbado o
suficiente para isso, resolvi ir até a esquina de uma rua escura e procurar por
alguma prostituta. Apenas bebida e sexo poderiam fazer eu me esquecer das
coisas agora.
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