quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Capítulo 3 - Eu juro...

Jasmine’s POV
Fechei os meus olhos e respirei fundo. Senti aquele ar quente e úmido entrar pelas minhas narinas. Sorri comigo mesma. Não era uma má ideia me matar.
Foi aí que eu lembrei que tinha outros planos. A minha vida já estava toda planejada na minha cabeça. Não iria desperdiçar todos os meus sonhos por causa de um cara que nunca deu a mínima pra mim. E ainda tem a minha mãe. Como eu seria tão burra a ponto de abandoná-la? Eu faria ela sofrer. Mais do que ela já está sofrendo com essa doença. Abandonei aquela ideia que há pouco tempo parecia tão instigante.
Escolhi por mim mesma. Prometi algo para mim mesma. Algo que nunca esqueceria. E nunca deixaria de cumprir. Olhei para a cidade dali de cima da ponte. Todas aquelas luzes. Olhei para o rio. Observei cada pequeno detalhe ao meu redor. Prometi que nunca esqueceria aquela cena e lembraria para sempre todas as palavras que pronunciei: “Eu juro, juro mesmo, que nunca mais na minha vida eu vou me apaixonar novamente. Nunca me aproximarei de nenhum menino com a intenção de me entregar. Concentrarei em mim mesma e esquecerei que meninos existem.” Algo que parecia bem simples para mim, depois de sofrer esta total desilusão. Não vou confiar em mais nenhum menino, garoto, homem... seja qual for a idade. Nenhum deles presta. Nenhum.
Segui todo o caminho para a casa me sentindo maravilhosamente bem. Eu sei que sofri demais hoje. Vi algo que nunca queria ter visto na minha vida. Mas isso foi bom para me acordar. Me mostrar que a vida não é simples. Ela nunca vai ser boa com a gente. Nós temos que ser boas com ela. Ir atrás do que nós realmente queremos. É exatamente isso que eu vou fazer. Mas antes tenho que dar essa notícia aos meus pais. Não vou contar detalhes do que aconteceu. Seria insuportável se eles ficassem sabendo de tudo. Tudo mesmo. Então vou contar só uma parte da história e a minha decisão.
Cheguei à minha modesta e simples casa e subi para o meu quarto. Deixei a bolsa pendurada na minha cadeira e caminhei até o quarto dos meus pais. Abri a porta de leve, bem devagar. Vi que meus pais estavam na cama. E enquanto a minha mãe dormia, meu pai lia algum dos livros dele. Ele me viu e colocou um dedo na boca indicando que não era para eu fazer barulho. Poderia acordar a minha mãe. Ela deve ter demorado para dormir e eu não iria atrapalhar o sono dela. Então caminhei vagarosamente e em passos leves até o meu quarto, que ficava ao lado. Entrei naquele lugar onde eu podia me sentir confortável, com as minhas estantes cheias de livros e os pôsteres de bandas fantásticas que eu sempre fui apaixonada: Beatles, Ramones, Red Hot Chilli Pepers e outras tantas que sempre me inspiraram para seguir meus sonhos. Caminhei em direção ao meu armário de madeira reciclada e peguei meu pijama de bolinhas pretas para me vestir e ir dormir. Segui até o banheiro e fiz a minha higiene pessoal. Em 10 minutos, já estava pronta para deitar e refletir mais um pouco antes de dormir.
Olhei para a minha estante azul-escuro e enxerguei meu livro da série “Fallen”. Mas meu objetivo não era ler agora. Estava cansada e com sono demais para isso. Consegui pegar meus fones de ouvido e meu celular e coloquei o volume no máximo para tentar afastar aquela cena que eu tinha acabado de presenciar. Eu deveria parar de pensar nele e em todos os momentos que já vivemos juntos, mas eu não conseguia. Aconteceram muitas coisas hoje. Coisas demais para conseguir filtrar em um dia só. Parecia que eu iria explodir com tanta pressão. Minha mãe doente. Meu namorado, pelo qual há duas horas eu estava totalmente apaixonada, estava me traindo esse tempo todo com uma loira vagabunda e eu não sabia.
Eu estava indecisa. Completamente dividida ao meio. Um lado meu queria muito ir para aquele programa de TV e esfregar na cara do John que eu consigo tudo que eu quero. E outra parte minha queria permanecer ali naquela casa, ao lado dos meus pais e cuidar da minha mãe doente. Mas, na vida, devemos sempre escolher entre uma coisa e outra. Deixei para pensar nisso amanhã. Desliguei a música e fui dormir com uma lágrima passando despercebida pelo meu rosto.
John’s POV
Eu estava berrando da porta para que Jasmine me ouvisse. Mas ela não quis nem saber. Nunca vi Jas tão perturbada. Ela saiu dirigindo feito uma louca. Mas que se dane. Eu não me importo com ninguém e, além disso, tem uma loira bem gostosa querendo dar pra mim lá em cima. Apenas com esse pensamento já pude sentir uma certa ereção e um sorriso estampado no rosto. Me virei e enxerguei exatamente quem eu estava pensando. Taylor. Mas a cara que ela estava não era nada parecida com a que eu esperava dela. Ela estava... brava? Sua posição era sexy, admito. Mas fiquei com medo do olhar dela. Com as mãos na cintura, Tay apenas me perguntou:
- Quem era aquela, seu maldito filho da puta?
- Não era ninguém. Vamos esquecer isso. O quarto nos espera...
- Como não era ninguém, John? Tá pensando que eu sou tapada, é?
- Oi? Você realmente se importa com isso?
- Se eu me importo em estar sendo traída por um cafajeste? É ÓBVIO que eu me importo.
Eu só sei que tentei falar alguma coisa, mas as palavras não saiam direito. Então senti uma mão na minha cara. Aquele tapa que ela deu foi tão rápido que nem deu tempo para desviar. E foi forte também...
- Aiiii... O que foi isso?
- Só uma amostra do que você merece, seu cara de pau!
Taylor simplesmente saiu rebolando e pouco antes de fechar a porta, resolveu que eu merecia mais:
- Eu já ia me esquecendo.
E simplesmente deu um chute nas minhas partes baixas. Caí de joelho e ela fechou a porta na minha cara.
- ESSAS MULHERES MALDITAS! – foi só o que eu consegui falar antes de cair duro no chão.

Depois de um tempo me recuperando daquele tapa e principalmente do chute, eu resolvi sair para espairecer um pouco. Na mesma noite, perdi meus dois brinquedinhos. Mas ainda tinha outras diversões. Fui andando até o bar mais próximo e pedi para o garçom a bebida mais forte que ele tivesse. E fiquei lá por um tempo, só bebendo e bebendo, pensando em como a minha vida era uma bosta. Quando já estava bêbado o suficiente para isso, resolvi ir até a esquina de uma rua escura e procurar por alguma prostituta. Apenas bebida e sexo poderiam fazer eu me esquecer das coisas agora. 

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