Jasmine’s POV
Entrei correndo em
casa e me direcionei para o quarto. Só queria chorar. As lágrimas escorriam
pelo meu rosto enquanto eu tentava segurá-las. Pelo menos até chegar ao quarto
e desabar. Meu mundo estava acabado. Se John terminasse comigo, eu iria morrer.
Aquela foi a nossa primeira briga. Nós nunca tínhamos brigado assim antes. Só
discutido. E é sempre sobre o mesmo assunto.
Sentia algo dentro do
meu peito. Algo que fazia com que eu não parasse de chorar. Mas eu tinha que
fazer alguma coisa. Só não sabia exatamente o quê. Limpei as lágrimas e lavei o
rosto. Comecei a sentir a fome. Lembrei que não tinha almoçado.
Desci até a cozinha e
preparei uma lasanha no forno pra mim. Era o mais fácil de se fazer. Depois
poderia voltar ao meu quarto e chorar de novo. Enquanto almoçava, ouvi a porta
da frente se abrir. Só pela leveza dos passos, percebi que era minha mãe. Ela
tinha voltado do médico.
-Mãe, é você? Estou
aqui na cozinha. -Falei quase gritando.
Minha mãe apareceu na
porta. E não estava com uma cara nada boa. Corri até ela e a abracei. Senti seu
rosto contra o meu ombro e ouvi-a soluçar. Esfreguei as costas dela e perguntei
o que aconteceu.
-Minha filha, é
horrível. Estou com medo. O médico disse que é grave.
-Mas tão grave assim,
mãe?
-Sim. Ele falou que
era melhor eu chegar em casa e descansar.
-Claro, eu te levo
para o quarto.
Deitei a minha mãe na
cama e depositei um beijo na sua testa. Saí do quarto dela e fui para o meu.
Não queria mostrar à minha mãe o quanto eu já estava fragilizada. Agora parecia
que eu iria quebrar em mil pedacinhos. Mas depois de ter recebido essa péssima
notícia da minha mãe, pelo menos eu tinha tomado uma decisão. Não, eu não iria
para o programa na TV. Tudo o que mais importa agora pra mim é minha mãe e
John. Decidi que hoje de noite mesmo eu vou à casa do John para pedir desculpas
e dizer que o amo mais que tudo. Ele vai entender e vai ficar tudo bem.
Resolvi passar um
tempo com a minha mãe antes de sair. Ela estava me contando como foi no médico
e eu não parava de perguntar o resultado do exame. Ela falou alguma coisa sobre
câncer. Mas não estava nada certo ainda. Espero que esse médico esteja errado.
Conversamos mais um pouco. Ela quis saber como estava eu e o John. Não contei
da briga. Ela não precisa saber. Nós ficamos juntas por horas. Ela me contou
histórias da infância e da adolescência enquanto eu acariciava o seu cabelo.
Ouvimos o papai
chegar e eu avisei a mãe que iria até a casa do John hoje à noite. Só não disse
o que iria fazer lá. Beijei a bochecha da minha mãe e abracei meu pai bem
apertado. Quase o sufoquei. Ele percebeu que eu estava mal e perguntou o que
aconteceu. Não respondi. Só disse que ele precisava conversar com a mamãe. E
avisei que iria sair.
Estou no banho agora.
Pensando na vida. É o melhor lugar para refletir. Me apoiei com o braço na
parede e deixei a água escorrer pelo meu corpo. Apenas pensei em como a vida
era tão difícil. E nós conseguimos deixa ela ser mais complicada ainda. Em vez
de resolver os problemas, apenas reclamamos deles. Bom, depois desta minha
reflexão filosófica, eu me enxaguei e coloquei uma roupa confortável. Passei
uma maquiagem básica e o meu melhor perfume. Afinal, iria fazer as pazes com o
John. Já sabia até aonde isso iria dar. Na cama. Bem do nosso feitio.
Peguei a bolsa e saí
apressada pela porta. Já tinha jantado mesmo. Entrei no carro e dirigi até a
Cannon Street. Parece que os minutos passavam devagar até que eu chegasse lá.
Estava apertando a direção. Eu não queria admitir, mas estava nervosa.
Estacionei na frente
da sua mansão. Achei estranho que havia mais um carro lá. Geralmente, o carro
dele fica na garagem e, bom, ele não recebe muitas visitas. Não que eu saiba.
Mas vou parar de ser neurótica e entrar. Fui até a porta da frente e pensei em
bater. Mas lembrei que ele tem uma chave reserva embaixo do tapete. Sorri
comigo mesma e pensei em como iria surpreendê-lo. Abri a porta e comecei a
andar. Passo por passo. Bem devagar. Teria que subir, já que seu quarto é no
andar de cima. Avancei pela escada. Quando cheguei ao topo, comecei a ouvir
barulhos estranhos. Eram gritos... com gemidos?
Em vez de continuar
caminhando devagar, acelerei o passo e quase corri até alcançar a porta. Abri-a
agressivamente e vi exatamente o que não queria ver. John... com uma loira na
cama. Transando. Bem na minha frente. Na minha cara. Era como se um banho de
água fria tivesse sido derramado em mim. Caí na real. Esse tempo todo, John estava
me traindo?! Nunca senti tanta tristeza, mágoa, raiva e ódio assim antes. Tudo
ao mesmo tempo. O pior de tudo é que os dois me encaravam. É claro, como não
iriam me ver? Eu fiquei estática na porta. Parada, como uma tonta. Uma burra.
Idiota.
Quando John se tocou
que eu estava ali, levantou rapidamente da cama e tentou ir colocando a camisa
enquanto avançava até mim. Veio com aquele papinho de sempre, que todos os
homens dizem quando fazem algo errado:
-Eu posso explicar!
Como eu estava
completamente sem reação, nem falei nada. Apenas saí correndo até a porta de
entrada. Chegando lá, percebi que John ainda me seguia. Virei-me para ele e
segurei a vontade de dar um belo tapa na sua cara:
-NÃO PRECISA EXPLICAR
NADA! EU SEI MUITO BEM O QUE EU VI AQUI. EU NÃO SOU CEGA, JOHN! – falei,
berrando, quase cuspindo na sua cara.
-Mas se você me der
um minuto, eu posso explicar! É sério, eu posso...
-NÃO ERA PRA TER
ACABADO ASSIM!- saí furiosa e fechei a porta na cara dele.
Caminhei pisando em
passos firmes até o carro e abri a porta ainda com raiva. Ouvi John gritando da
porta pra mim. Não quis nem saber o que ele estava dizendo. Liguei o carro com
as lágrimas de raiva escorrendo. Nem percebi que chorava. Estava cansada de só
chorar. Limpei as lágrimas e tomei uma decisão. Pisei fundo no acelerador e
dirigi loucamente pelas ruas de Londres. Não tinha muita gente na rua essa hora
mesmo. Guiei o carro até a Tower Bridge
Rd, sim, em direção à ponte Bridge. Estava cansada da vida, cansada de tudo. De
todos os problemas.
Parei o carro no meio da ponte.
Desci e fui até a beirada. Olhei o rio Tâmisa abaixo dela. Comecei a relembrar
de toda a cena. Me senti péssima. Uma pessoa enganada. Iludida. Como John pôde
ser tão falso? Tão mentiroso. Aquele traidor. E como eu pude me apaixonar tão
rápido e facilmente por aquele... aquele... Argh, nojento. Minha vontade agora
era soltar muitos palavrões. Era só o que eu conseguia pensar. E sabe por que
eu não bati na cara dele? Simplesmente porque eu sei... Eu sei que Deus é
justo. John vai se matar com o próprio veneno. A vida não vai dar trégua à ele.
E eu quero morrer. É isso que
eu quero fazer. Aqui e agora. Nesse rio. Me afogar por inteiro. Eu não
conseguia respirar. Já estava afogada. Afogada na própria desilusão, na própria
tristeza. Qual era o problema de me atirar daqui de cima e acabar com a minha
vida? Eu podia muito bem fazer isso.
Nenhum comentário:
Postar um comentário